Moldar pra quê? Cada um é o que é!

Crianças com areia pá

Hoje estava na praia e, depois de dar uma caminhada, decidi parar e ficar sentado na areia. Nesse tempo, fiquei brincando de esculpir formas geométricas nas pedrinhas de areia que se formam no chão, e descobri que isso não é tão fácil quanto parece. As pedrinhas são muito quebradiças, e qualquer força no lugar errado acaba desmanchando a pedra, transformando-a simplesmente em milhões de grãos de areia soltos. No entanto, eu queria muito fazer as formas, e assim fiquei tentando e tentando, até conseguir. Depois de tentar esculpir mais de cem pedrinhas, consegui fazer um quadrado, um triângulo, um círculo, entre outras coisas.

Fazendo isso, aprendi duas coisas. A primeira é que nem sempre podemos moldar as coisas como queremos, pois às vezes elas simplesmente não estão preparadas para isso. Com certas pedrinhas eu tentava fazer um losango, mas não dava certo. No entanto, se tivesse tentado um círculo, talvez tivesse conseguido… Ainda, se outra pessoa tivesse tentado fazer um losango, talvez tivesse conseguido, pois faria de um jeito diferente do que eu fiz.

Algo que me chamou a atenção foi que, às vezes, uma forma acabava não saindo como eu queria, mas no final ficava algo muito melhor do que o que eu tinha imaginado no começo. A segunda coisa que aprendi então é que nem sempre o que imaginamos é o melhor que pode existir, e assim às vezes o melhor a fazer é deixar as coisas tomarem seu rumo por si próprias.

Fiquei pensando então que muitas vezes isso é o que acontece com nossos relacionamentos: vemos uma pedrinha (uma pessoa) e tentamos esculpi-la ao nosso modo, aos nossos gostos, a jogando fora se ela não se molda como queremos. O que acontece é que muitas vezes as pessoas não estão preparadas para o relacionamento que nós buscamos (se é que sabemos o que buscamos), ou então simplesmente nós não somos a pessoa certa para o outro naquele momento. Acabamos criando expectativa em cima de pessoas que nunca darão o retorno que esperamos, e assim que nasce a decepção dentro dos relacionamentos, uma expectativa frustrada por um retorno menor que o esperado.

Além disso, tentamos quase sempre criar o que pensamos ser o relacionamento ideal, aquele que imaginamos na nossa cabeça que é o certo e que vai nos tornar mais felizes. Fazemos isso quando deveríamos simplesmente deixar acontecer e viver o momento com a pessoa que está ao nosso lado, não se preocupando tanto com o futuro e nem com o passado, mas sim com o presente. Como diz o mestre tartaruga Oogway no filme Kung Fu Panda, “o ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva, por isso se chama presente”. Não se trata, porém, de viver cada dia como se fosse o último de nossas vidas, mas sim de ser intenso, de colocar paixão e propósito em tudo que fazemos, de acreditar em tudo que fazemos. No final das contas, colocar todo esse esforço em nossos relacionamentos significa torná-los melhores, com mais significado e mais razão de ser. E não é isso que conta no final, não é isso que precisamos, de relacionamentos com um significado? Basta não ter medo, dar a cara à tapa e não viver à volta de desculpas e pensamentos sobre o passado ou o futuro, mas sim com a mente no presente, no agora.

Bem, no final das contas, acabei desfazendo as formas que tinha esculpido e pegando uma pedrinha crua, simplesmente do jeito que ela é. Do jeito que o mundo a fez.

Anúncios

Um pensamento sobre “Moldar pra quê? Cada um é o que é!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s