É rir pra não chorar

masksVejo o mundo como um lugar cruel e engraçado: ele exige que tu sejas feliz, mas te manda pela trilha errada. Na verdade, pode até não ser pela trilha errada, mas com certeza com as ferramentas erradas. Ao invés de te dar uma bússola e uma lanterna, para que saiba que caminho seguir e possa enxergar para onde está indo, o mundo, ou melhor, a sociedade, te dá um mapa com o destino traçado e uma motosserra para que possa chegar até lá. A moral da história? Queremos todos viver no topo da montanha, mas não percebemos que a felicidade está espalhada pelo caminho que percorremos. Ela passa, despercebida, caindo junto com as árvores que cortamos no caminho. Enfim, é cruel e engraçado ao mesmo tempo: é rir pra não chorar.

Temos, inegavelmente, uma oportunidade – a de sermos felizes –, e um caminho a percorrer para isso – nossa vida. Durante essa jornada, somos cercados de estímulos, e o principal deles vem das pessoas que estão a nossa volta. Essas pessoas são nossos exemplos diários, em quem nos espelhamos e nos inspiramos para tentar sermos pessoas melhores. O que acontece, no entanto, é que vivemos cercados de estímulos negativos: pessoas que fazem coisas que prejudicam outras pessoas, que tem atitudes negativas e que fazem de tudo para estarem no topo da montanha. Quando chegam lá, no entanto, não sabem o que fazer: estão preenchidas pelo vazio de não terem aproveitado o caminho e de nunca terem olhado para dentro de si mesmas. Conviver com essas pessoas nos estimula a sermos como elas, a ter atitudes negativas e sermos vazios por dentro.

Entretanto, nem todas as pessoas são assim, e temos à nossa volta diversos exemplos de pessoas inspiradoras, pessoas que aproveitam o caminho e encontram a felicidade interna, sendo referência para os demais. Essas pessoas podem ser tanto os líderes globais que conhecemos, como Gandhi, Martin Luther King, Bob Marley, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, como heróis do dia-a-dia, como meu avô, sua mãe, o caixa do banco, o pintor de rua, o professor da escola municipal. Conviver com pessoas assim nos estimula a termos atitudes positivas, a amar ao próximo e a si mesmo, a ser uma pessoa melhor.

Para ser uma pessoa melhor, procuramos crescer, e o crescimento vem através do aprendizado. Vicente Falconi ensina que, durante nossos dias, temos uma cota diária de aprendizado: podemos aprender X coisas em um dia, não mais. Ao final do dia, se aprendemos essas X coisas, preenchemos a nossa cota, se não aprendemos, perdemos a oportunidade. Não é possível acumular a capacidade de aprendizado e assim aprender mais no dia seguinte! Essa cota de aprendizagem é variável de pessoa para pessoa, e assim cada um tem sua própria velocidade, o ritmo em que consegue aprender e se desenvolver. É por isso então que uns se desenvolvem mais que os outros? Não, essa não é a principal razão. Uns se desenvolvem mais porque usam, todos os dias, sua cota de aprendizado, seja ela qual for. Essas pessoas vivem, então, no limite, estimulando-se ao máximo e vivendo sempre na maior velocidade possível.

Buscamos crescimento, aprendizado, desenvolvimento, felicidade… Vamos recapitular: temos uma montanha a subir, e nos inspiramos nas pessoas que estão à nossa volta para fazer dessa subida a melhor possível, não se importando tanto com o destino, mas sim com a jornada. Para aproveitar ao máximo a jornada, temos que aprender ao máximo, e aprendemos ao máximo convivendo com pessoas que nos estimulam a serem melhores, sejam elas grandes ícones ou figuras do dia-a-dia. Está meio óbvio, não está? A resposta é clara: convivendo com pessoas melhores, teremos um aprendizado maior, um caminho mais proveitoso e uma vida que terá valido a pena. Mas, e os outros, e as pessoas que estão à nossa volta e que não são um grande exemplo? Para ficar claro, a mensagem não é deixar de conviver com certas pessoas, mas procurar as pessoas que te estimulem da maneira mais positiva possível, que sejam um exemplo pra ti no dia-a-dia, e então ficar perto dessas pessoas: são elas que mais vão te ensinar a ser uma pessoa melhor. Não fique preso a maus exemplos simplesmente porque eles estão perto de ti. Busque inspiração primeiro nos outros, para depois poder achar a inspiração dentro de si mesmo. O próximo passo será, de maneira natural, inspirar os outros, aquelas pessoas que não foram um exemplo para nós no início.

Criamos, dessa forma, um ciclo de criação de exemplos, no qual tentamos ser o melhor que podemos ser, e assim viramos uma referência para quem está ao nosso lado, mesmo não sendo esse nosso objetivo. Quem sabe assim, baseado nesse ciclo e no exemplo que damos uns para os outros, possamos ter mais pessoas inspiradas, seja dentro de suas empresas, dentro de suas famílias, dentro de suas vidas. No final das contas, continua sendo tanto cruel quanto engraçado, e temos que escolher se preferimos rir ou chorar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s