Um dos textos mais loucos que já escrevi

autoconhecimentoDesde pequeno, sempre quis entender como a sociedade funciona como um todo, e se há uma solução para um problema mundial, algo que possamos fazer para ajudar bilhões de pessoas ao mesmo tempo. Me lembro que, com 8 ou 9 anos, ficava brabo comigo mesmo quando desperdiçava meu tempo não pensando: eu achava que, se pensasse o tempo inteiro, alguma hora talvez pudesse ter um insight dessa solução maravilhosa, e assim ajudaria todas as pessoas do mundo.

Eu sempre achei então que sim, por sermos todos humanos – tão iguais e tão diferentes -, teríamos algo em comum, um problema globalmente compartilhado. Fazia alguns anos que eu não me lembrava de como era tão preocupado assim na infância, mas em todo esse tempo continuei analisando o comportamento das pessoas, tentando entender por que somos do jeito que somos. Vejo que somos TODOS pessoas incríveis, cada um do seu jeito. Pode parecer clichê, mas nem por isso deixa de ser verdade. Vejo, no entanto, que a maior parte do nosso potencial é desperdiçado, deixado de lado, pois nos preocupamos demais, e nos preocupamos com coisas que não são importantes.

Eu ando pelas ruas da minha cidade e vejo claramente os dois sentimentos que movem as pessoas: o medo e o descaso (não necessariamente nessa ordem). Quanto mais descaso, mais medo, e vice-versa. Ando pela cidade e vejo pessoas que não se olham nos olhos; que tem sempre um destino, mas nunca param para apreciar o caminho; que vivem com o piloto automático ligado; que esperam bater o ponto para poder ser felizes; que não se questionam; que acham que está tudo errado, mas agem como se tudo estivesse certo.

Eu vejo pessoas que pensam demais, mas agem de menos. Revolucionários de sofá. Vejo conformismo, medo de mudança, pragmatismo exagerado. É pesado para os meus olhos, mas principalmente para os meus ouvidos. Me deparo todo dia com a inércia: as pessoas parecem viver em Movimento Retilíneo Uniforme, como se a vida fosse uma esteira que nos leva de A para B, como se não pudéssemos saltar para fora. A rotina é obrigação, é padrão de felicidade. Todos acordam no mesmo horário, trabalham com o mesmo objetivo, vão para casa no mesmo horário, tem os mesmos desejos, as mesmas vontades. Uns podem realizá-las, outros não. Os que podem, mostram. Os que não podem, continuam desejando, falam mal de quem pode, leem revistas de fofoca. Ser diferente é difícil, e assim quem não quer se enquadrar acaba sendo extremista: se transforma, vira punk, hippie, alternativo. O equilíbrio entre ser igual e ser diferente é muito tênue, é preciso estar constantemente desequilibrado para estar nele. Difícil de explicar, mais difícil ainda de entender: o jeito é viver.

Quando falamos sobre a vida é muito fácil de perder nossa direção, ainda mais quando estamos viajando em nossa mente. Volto então ao ponto principal do texto, que é falar sobre o porquê agimos como agimos. É fácil de ver como não nos importamos com os que estão à nossa volta, pensando somente em objetivos pessoais e fazendo sempre aquilo que é melhor para nós mesmos. Pensamos demais em nós mesmos, e assim surge o descaso com os demais. A partir disso, desse egoísmo egocêntrico, nascem nossos maiores problemas sociais: fome, doenças, abandono. E há o outro lado da mesma moeda: o medo.

Há duas principais formas de medo, que são o medo do outro e o medo de si mesmo. O medo do outro é o que vemos todo dia, quando temos cautela ao sair de casa, ao entrar no carro, ao nos relacionarmos com alguém, ao falar. Temos medo do que os outros vão fazer e pensar, e assim vivemos em uma tensão constante, que pode ser mais ou menos visível. Um exemplo clássico de medo do que os outros vão fazer são as prisões coletivas que construímos nas cidades: condomínios fechados, carros blindados, alarmes, trancas, confiança zero no outro. E estamos certos (?). Já um exemplo do medo do que os outros vão pensar é a timidez. Ser tímido é ter receio do que pensam de nós, pois sabemos que cada ação que fazemos é analisada e julgada, e assim temos cuidado e receio de fazer diversas coisas. O que não se percebe é que todo esse medo dos outros surge porque vivemos constantemente alimentando nosso ego, tentando ser melhores que os outros e não melhores que nós mesmos. Vivemos tentando parecer melhores, afinal o ego é o reflexo do que pensam de nós, e assim quanto mais parecemos melhores, mais somos de verdade. Pena que é mentira… Parecer não é ser, mas nos enganamos, nos auto sabotamos diariamente pensando que o importante é parecer, e não ser. A preocupação está em parecer ser, e aí entra o medo de si mesmo.

Temos, diariamente, constantemente, o medo de olhar para dentro e descobrirmos quem realmente somos. É muito confortável não mudar, deixar tudo como está, e sabemos que se olharmos para dentro vamos ter vontade de mudar, de trilhar novos caminhos, de “enlouquecer”. O ponto é que falta vontade de olhar para dentro de si mesmo: é muito mais fácil imaginar que somos o que os outros pensam de nós do que olhar para dentro de si e tentar realmente descobrir quem somos. É muito mais fácil sermos o nosso ego do que se arriscar em uma viagem de autoconhecimento, que normalmente envolve mudanças críticas, o que necessita de desapego. Acabamos nos preocupando demais com o que pensamos que os outros pensam de nós, e no meio dessa confusão de julgamentos e preocupações desnecessárias desperdiçamos nosso potencial. Empregamos nosso tempo em coisas que não agregam, não sabemos nos relacionar no mundo real, pensamos demais no que não interessa e de menos no que de fato interessa. Sentimos pouco, brigamos muito. Dialogamos pouco, discutimos muito. Queremos muito, não sabemos o que é ser simples. Fazemos pouco, dizemos muito.

Vejo que temos dois grandes problemas, mas diferente do que eu achava quando era pequeno, eu nunca vou encontrar uma solução para os problemas de todos. Mesmo assim, eu sei que cada um pode encontrar as suas próprias soluções, embora muitos não saibam disso. Se hoje tenho um papel é o de deixar isso claro, dizer tantas vezes que vai ficar mais do que óbvio, até que uma ação de fato ocorra. Diferente do que eu achava, muitas vezes a resposta não está em ficar sempre pensando, mas sim em não pensar, em deixar ser e não analisar e forçar todas as situações a serem exatamente como queremos. O autoconhecimento é um processo natural, e é muito mais fácil se sentirmos e deixarmos fluir do que se analisarmos e fizermos um fluxograma de cada etapa do processo, até porque cada pessoa tem o seu próprio processo.

Sou um questionador, e faço um convite, o qual fica totalmente a cargo do convidado aceitar ou não. O lugar não é longe, na verdade está bem dentro de você, embora seja difícil de achar. Como Batman, que tira a corda de segurança antes de dar o salto que pode ou matá-lo ou libertá-lo da prisão, não precisamos perder nossos medos, mas enfrentá-los. O convite está na sua frente, claro, óbvio. Agora (sim, agora) você pode escolher: vai ser ator ou plateia da sua própria vida?

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2 pensamentos sobre “Um dos textos mais loucos que já escrevi

  1. É incrível a reação das pessoas quando tu pergunta “quem tu é?”, e não se contenta com o nome, com a profissão, ou mesmo com a relação que ela tem contigo. Elas ficam bravas, angustiadas e tentam trocar de assunto. Elas não sabem quem são, mas nunca param para pensar sobre isso. Incomoda.

  2. Muito bom meu geniozinho!!!! Te desejo toda a sorte do mundo, na verdade, só desejo coisas boas o tempo todo para você!!! Quem procura acha!! se realmente é assim que pensa, faça seu foco e lute por isto que o mundo conspira e você com certeza irá encontrar a harmonia entre o gosta de fazer e a consequência disto. te amo… beijos

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