Sonhos

live-your-dreams-my-dream-is-23986887-1600-120005/08/2013.

Hoje senti que rasgaram meu sonho. Não a primeira vez que senti isso na vida, foi, na verdade, a terceira, mas senti como se fosse a primeira vez. Estava conversando animado com uma amiga, quando de repente recebi a ligação de outro amigo, pra dizer que eu não tinha passado em um processo para estudar no exterior. Foi como um soco no estômago. Fui na hora até um computador e abri o site para ver com meus próprios olhos. Como uma brincadeira de mau gosto, lá estava a lista dos aprovados, sem o meu nome.

É uma sensação angustiante essas listas de nomes, tu fica enlouquecido procurando teu nome, e não acredita quando ele não aparece. Fiquei olhando fixamente para os nomes dos aprovados, imaginando ali o meu. Mas ele não estava lá. Então pareceu que voltou tudo.

Tudo que vivi no verão de 2009, quando não passei no vestibular da UFRGS, quando vi meu sonho se transformar em nada, ao olhar para uma lista fixamente no espaço em branco entre dois nomes, onde deveria estar o meu. Foi uma situação bem parecida: eu estava na praia, esperando o almoço, quando recebi uma ligação de meu pai dizendo que eu não havia passado. Fui correndo até um computador (tive que ir pedalando até o centro para ir em uma lan house) e então acessei o site da UFRGS para ficar alguns minutos olhando perplexo para esse espaço em branco. Depois desse baque inicial, vem a hora de analisar o que aconteceu: dessa vez, saber que tangenciar o tema da redação (minha melhor matéria no colégio) foi o que me desclassificou, doeu novamente de forma inexplicável.

Tive também o meu segundo sonho despedaçado, que foi quando não fui alocado para fazer o projeto que sempre sonhei na empresa em que trabalhava. Estava eu trabalhando tranquilamente quando a caixa de email mostrou que recebi um email com o título “Alocações”. E lá estava, no corpo do email, o nome de outra pessoa onde deveria estar o meu. É dolorido, é um soco no estômago. Me peguei pensando então na felicidade que essa pessoa deveria estar sentindo, pois ela também sonhava em realizar esse projeto. No entanto, só uma pessoa poderia fazê-lo, e alguém ficaria de coração partido. Eu, no caso.

Hoje foi então a terceira vez que rasgaram meu sonho, e senti tudo de novo. Parei para pensar e vi que nas três vezes eu tentei, pelo menos por um tempo, fugir. Na primeira vez, peguei minha bicicleta e fui ficar sozinho olhando o mar. Chorei desesperadamente. Na segunda vez, saí do meu trabalho e fui dar uma volta no quarteirão. Sentei na calçada e chorei. Hoje, saí de onde estava e fui tentar reverter a situação, falar com os responsáveis pelo edital da bolsa de estudos. Depois de fazer isso, fui correr na orla do Guaíba para espairecer. Antes disso, quase chorei enquanto estava na fila do Saúde no Copo, no meio do shopping. Até agora não deixei a emoção sair de mim, está presa como uma bolha de mágoa, angústia e decepção, desilusão comigo mesmo e com o mundo, lá no fundo dos meus olhos.

Eu, sonhador como sempre fui, já me imaginava deitado em uma cama de dormitório universitário, bem distante do Brasil, pensando sobre tudo que vivi, sentido uma leve saudade daqui. Me peguei sorrindo ao imaginar essa situação, na qual eu dizia para mim mesmo: “eu consegui! Fui atrás, batalhei, me esforcei, e aqui estou eu!” Pois é, mas não deu. Alguém olhou a minha ficha, viu alguma nota que não gostou no meu histórico escolar e colocou meu nome na pilha dos desclassificados, sem a menor piedade. Eu chequei algumas dezenas de vezes o meu email para saber se receberia o email da aprovação, mas ele nunca chegou: minha caixa de entrada está vazia.

Pensei em fazer um poema para contar minha tristeza. Pensei em escrever e dizer que no final tudo vai ficar bem, que, na verdade, esse é o meu caminho, e estou destinado a não ganhar essa bolsa, pois algo muito melhor vai acontecer. Mas é difícil ligar os pontos agora, eu simplesmente não consigo ver como isso vai ser bom para mim. Estava tudo planejado, o plano e a viagem já estavam no papel. Mas esse papel agora está rasgado. “Seu pedido foi negado.” Que merda, né?

Tento me reconfortar, penso no que aconteceu com meus outros sonhos que foram rasgados. Quanto ao primeiro, 2009 foi um dos melhores anos da minha vida, no qual eu fui muito feliz. Estudei pra caralho, fiz novos amigos, namorei, aprendi muito e passei no vestibular do ano seguinte em primeiro lugar.

Quanto ao segundo sonho, acabei sendo alocado em um projeto que não queria, mas foi nesse projeto que estreitei relações com as duas pessoas que mais me ensinaram nesses últimos anos. Aprendi a quebrar muitas de minhas muralhas internas, e tive um dos clientes mais legais da minha vida. Foi simplesmente um projeto sensacional, em que aprendi muito. Graças a ele, várias outras coisas boas aconteceram na minha vida.

Eu poderia dizer agora que então uma coisa maravilhosa vai acontecer comigo, que era pra ser assim, que no final das contas foi meu anjo da guarda que me colocou na pilha dos desclassificados. Só que não. Isso não é o que eu penso, pelo menos hoje. Ainda estou puto da cara, ainda quero tentar reverter a situação, de alguma maneira mirabolante que ainda vou inventar. Ainda estou tentando remendar meu sonho, e tento isso de corpo e alma. Sabe por quê? Porque a gente só consegue as coisas quando quer, quando quer muito. Nada é de graça nessa vida, e se eu consegui passar no vestibular na segunda tentativa foi porque me esforcei o triplo do que da primeira vez. Se meu projeto “que eu não queria” se tornou um baita aprendizado, foi porque me esforcei muito para conquistar esse aprendizado.

E, se eu não conseguir recuperar meu sonho amanhã, vou sonhar de novo. E vou sonhar mais alto, nunca mais baixo. Nunca se deve rebaixar seu sonho, remodulá-lo para “caber na realidade”. A realidade somos nós quem fazemos: cada um faz a sua, dia após dia. Eu continuo lutando por meus sonhos até a última gota de lágrima e de suor. E, se não der dessa vez, pode ter certeza que na próxima vai dar, pois virá o triplo de esforço e dedicação.

Escrevendo esse texto percebi porque ainda não chorei: porque meu sonho ainda não morreu! Ele está em estado gravíssimo, definhando, mas ainda pode reviver das cinzas!

Não vou aqui dar conselhos ou lições de vida, mas espero sinceramente que você que leu até aqui, que superou as ondas de tristeza e melancolia que coloquei nesse texto, jamais desista dos seus sonhos! E se lembre, se um dia rasgarem seu sonho, isso não é a vida te esmagando, e sim um desafio para sonhar mais alto!

***

06/08/2013

Hoje já é amanhã. E hoje, incrivelmente, a raiva e a angústia que eu sentia ontem não estão mais em mim. Hoje de manhã acordei (depois de quase não conseguir dormir) e fui fazer algo inusitado. Mesmo não tendo sido selecionado, fui até o local das entrevistas, e fiquei esperando. Tinha esperanças de que algum dos dez pré-selecionados não aparecesse, o que quase aconteceu. Mesmo com uma pessoa chegando atrasada e assim as dez pessoas realizando suas entrevistas, fiz o que achava que era certo e, após todos realizarem suas entrevistas, entrei na sala dos professores avaliadores para conversar. Foi uma experiência muito interessante, entrar “na cara dura”, mesmo não tendo sido selecionado, e acabar de certa forma sendo entrevistado, mesmo que sem chances de conseguir de fato essa bolsa, uma vez que eu não poderia quebrar as regras e prejudicar as pessoas que haviam sido selecionadas. No entanto, senti que fiz a minha parte, dei de fato o meu máximo, indo até o final naquilo que eu acreditava.

O que pude perceber é que, na verdade, quem seleciona também tem coração. Olhar nos olhos dos avaliadores que negaram o meu pedido e ouvi-los dizer que dói neles cortar os alunos foi algo libertador. No final das contas, somos todos seres humanos. A conversa com eles na verdade me abriu outras portas, vi que outras bolsas são possíveis, e tenho assim outras possibilidades de realizar meu sonho de estudar no exterior e assim ter uma visão de mundo mais completa, uma pintura mais colorida e real de como é o mundo em que vivemos.

Sim, continuando sonhando em morar fora, estudar fora, pois acredito que assim vou de fato entender melhor como é o mundo em que vivemos, e entendendo nosso mundo posso então agir com mais precisão e confiança para transformá-lo em um lugar melhor. Escrevendo esse texto percebi que meu sonho não morreu, nem vai morrer, porque ninguém além de mim pode rasgá-lo. Senti como se ele tivesse sido despedaçado pelos outros, mas na verdade só quem pode fazer isso sou eu mesmo, se desistir dele. Só quem pode rasgar seus sonhos é você mesmo, no momento em que para de acreditar que eles podem se tornar reais.

Quanto a mim, SIGO ACREDITANDO, nesse e em outros sonhos. Aprendi muito com essa experiência, e já estou colocando algumas lições em prática, como o fato de que devo me dedicar mais à faculdade, pois isso traz recompensas, de aprendizado e de oportunidades. Sigo também escrevendo para poder me entender, que é outra dica que dou para qualquer pessoa que esteja com a cabeça muito cheia.

Como disse antes, não vou dar conselhos nem lições de vida, mas deixo aqui minha constatação: sonhar é bom, é gostoso, mas tornar nossos reais exige muito suor e dedicação, além de trazer consigo algumas lágrimas e decepções pelo caminho. Basta então se perguntar: e seu sonho, vale a pena?

Anúncios

Um pensamento sobre “Sonhos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s