O que procuro?

Chego em casa
saio para correr
a noite me acalma
o silêncio desperta a alma

No entanto, a rua é hostil
a calçada me agride
os carros são uma força armada
ser diferente parece uma batalha

Quanto aos outros, estão todos parados
esperando serem teletransportados
a música nos ouvidos é distração
os olhos estão mornos, o ônibus é uma prisão

Eu julgo
sou julgado
no fim das contas, não há certo ou errado
olhe para o lado

Os condomínios estão todos cadeados
as janelas estão abertas, o calor é demais
padronizadas, vejo a cada 5 metros uma televisão
rankeados, vejo a cada vaga um carrão

De uma janela sai uma luz verde
um casal se divertindo
em uma sacada vejo uma rede
queria eu já estar dormindo

São mais de onze horas da noite
e, na praça, uma garota de programa espera calada
apesar do seu tamanho, ninguém a vê
mas ela também tem uma alma

Eu sigo minha corrida
minha caminhada solitária
imerso nos meus próprios pensamentos
de não pensar em nada

Penso somente no poema
somente na canção
tento sentir a noite
às vezes, sinto dentro de mim uma emoção

Sentimento quente, de contato com a Terra
vontade de tirar os tênis
sair correndo
sem tempo, sem medo, sem espera

Espera de que? espera pra que?
espero
espero ser algo, espero ser alguém
espero uma vida, espero alguém

Achei!
na virada da esquina, lá estava a pessoa
já suada, já cansada de tanto correr pra me achar
um sorriso se abre, valeu a pena tentar

Tentei achar, tentei achar
e achei o nada!
os últimos metros do treino acabam
e vou comigo mesmo para casa

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