Aceitação

Aquele que busca o simples prazer
procura quem o aceite
e provavelmente vá encontrar
já aquele que busca o deleite
precisa primeiro a si mesmo aceitar

buscar aceitação dos outros
é pedir perdão por algo sem razão
buscar aceitação de si mesmo
é perdoar-se com o coração

e depois que você se aceita
tudo fica mais fácil
o mundo fica mais leve
as montanhas têm o peso de um floco de neve

você então não precisa de mais ninguém
embora ame mais abertamente as pessoas
então você não precisa de um vintém
embora o dinheiro só te traga coisas boas

entenda, se aceitar é o caminho
e o destino ao mesmo tempo
é algo que se faz com o coração
mas também com o pensamento

aceitar-se envolve o corpo todo
envolve toda sua vida
a de agora e as que já foram vividas

e pra começar
é só vir junto
e respirar fundo…

Ah, se lembre:
é uma passagem só de ida

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À vontade

Tem vontade que às vezes não passa
bati uma punheta
não passou
escrevi um poema
inda ficou
gritei pela janela
ela restou
fiz regressão, macumba e santo daime
foi e voltou

tem vontade que não passa
faça Sol ou chuva faça
olho e reolho (14x)
e ela tá lá
morro e renasço
não saiu do lugar
as palavras me acabam
e não me acaba essa vontade

mas acho que entendi
não posso fugir
fuga não há
só me resta então
à vontade abraçar

a minha história

Dia após noite

vou mudando meus hábitos aos poucos
por favor, não me exija demais!
uma coisa de cada vez, o mundo já é tão louco
e eu sempre durmo pra menos ou pra mais

Quando olho o presente dos dias que virão
enxergo, nos mais próximos, as três coisas que quero muito fazer
não me limito por tempo ou apego
só sei
quais são as três obras que vou escrever

Já quando miro a atenção lá na frente
a anos e anos-luz de distância
vejo só luz e uma palavra
que sempre muda, mas é sempre linda

E na certeza da incerteza eu sigo
mudando aos pouquinhos
evoluindo de fininho
(às vezes nem eu posso perceber!)
vou todo dia abrindo presentes
com olhos cheios, como os de criança

Coração a mil
mente calma
alma leve (claro, tirando o estresse)
e mãos (e pernas, e tudo) que não param de escrever a própria história…

olhos fechados

quando os olhos se fecham
a boca também se cala
apenas escuto o mundo
e deixo cair uma lágrima

mesmo com as pálpebras fechadas
vejo tudo
não é só o aguçar dos sentidos
é algo além de sentir-se vivo

fodam-se os teóricos
cientistas de laboratório
foda-se a teoria
foda-se a rima e a poesia

meus dedos tremem
minha cabeça pulsa
a mente não entende
o corpo inteiro repulsa

álcool, maconha, chocolate e gordura
não há vício que traga a cura
tentei respirar e beber água
mas era tudo furada

vou lavar meia hora de louça
e tá feita a terapia
bora passar uns três quilos de roupa
e se libertar dessa agonia

Aquele menino e seus repentes…

Mas o que é um repente
Senão a vida da gente?

Sentado no restaurante, parado, sozinho
me martirizo
Não sou como os meninos de Sabino…

Meus repentes são calculados, planejados
Repentinamente decorados e perfumados

Ganho tapinhas nas costas
E aqui não cabe outra coisa, senão uma bosta
Igual a tudo que faço
A que tudo enxergo

Sou poeta de celular
Que tosse sem parar
Poema de rimas decoradas
Que se acabam como a vida
Do nada